Alckmin e a hora do desespero

É tudo ou nada para Geraldo Alckmin, candidato do PSDB a presidente da República. Improvável que lhe traga boas novas a pesquisa de intenção de votos do Datafolha que começou a ser aplicada há pouco e cujos resultados serão revelados logo mais à noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Para vencer ou ser derrotado mais rápido, Alckmin só terá um caminho daqui para frente: desconstruir a imagem positiva de Jair Bolsonaro junto a um expressivo contingente de eleitores. Sem tomar votos de Bolsonaro, Alckmin não irá a lugar algum. Morrerá na praia mesmo com a maré baixa.

Há muitos meios e modos de tentar isso, mas nenhuma garantia de que dará certo. Quase 80% do total de eleitores de Bolsonaro renovam sua determinação de não trocar de lado. O tempo de Alckmin ficou curto. Se até o fim desta semana ele não decolar, seus aliados políticos o abandonarão sem piedade.

Parte deles irá para o colo ainda machucado de Bolsonaro, pule de dez para o segundo turno. Parte para o colo desocupado de Ciro Gomes (PDT). O colo de Marina Silva (REDE) está destinado a acolher órfãos da candidatura de Lula e descrentes na candidatura de Fernando Haddad (PT), o poste que ainda não acendeu.

Nas eleições de 2014, Dilma Rousseff e Aécio Neves foram bem-sucedidos na tarefa de abater Marina mal ela alçara voo nas pesquisas de intenção de voto logo após a queda do avião que matou o candidato a presidente da República Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco.

A princípio, será solitária a tarefa de Alckmin de atirar pesado contra Bolsonaro. Ciro e Marina carecem de tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão para procederem da mesma forma. E Bolsonaro, por questão de saúde e também de desinteresse, ficará de fora dos próximos debates entre os candidatos.

Vida dura que segue para Alckmin.

Ricardo Noblat
Jornalista