Mãe de brasileira assassinada na África do Sul luta por guarda do neto

Um caso de feminicídio na África do Sul chamou a atenção das autoridades locais pela frieza e brutalidade com que o crime foi cometido. A brasileira Valéria de Almeida Franco, de 30 anos, foi assassinada pelo marido sul-africano no início de fevereiro em Margate, na costa leste do país.

Agora, sua mãe Silvana, que mora no Rio de Janeiro, batalha na justiças sul-africana para conseguir a guarda do filho de quatro anos do casal, Johann Oswald Franco Schmid, e poder trazê-lo para o Brasil.

Johann vive atualmente com a tia, depois que seu pai, Johan Oswald Schmid, de 47 anos, confessou ter estrangulado Valéria até a morte com as mãos durante uma discussão. O sul-africano cometeu o crime na frente do filho, que entrou no quarto no momento da briga.

Após o assassinato, Schmid manteve o corpo nu da mulher no armário de sua casa, até comprar um freezer para escondê-lo. Depois de quase um mês, o engenheiro decidiu confessar o crime e contratou uma advogada para auxiliá-lo. Antes de se entregar, deixou o filho aos cuidados da irmã, quer mora em Johanesburgo.

Uma primeira audiência relacionada ao caso já foi marcada para 2 de julho, porém o julgamento oficial pelo homicídio ainda não tem data para acontecer.

O assassinato
O crime aconteceu em 9 de fevereiro, na residência do casal. Segundo Silvana, Schmid pode ter matado sua filha para impedir que ela o deixasse e levasse o filho para o Brasil.

A mãe de Valéria conta que os dois brigavam muito quando ainda moravam no Rio de Janeiro, principalmente por conta de ciúmes. A moça chegou, inclusive, a abrir três processos contra Schmid por ameaças e pediu ordem de restrição para mantê-lo longe dela, mas deu baixa na medida quando ficou grávida e decidiu se mudar para a África do Sul.

O marido também era violento e bebia muito. Silvana conta que a filha já chegou a ligar para ela de madrugada enquanto eles discutiam pedindo ajuda para tomar conta do filho, que na época ainda era um bebê. Ela também mostrava hematomas deixados por Schmid em seu braço.

Os documentos relacionados aos incidentes já estão sendo recolhidos para serem adicionados ao processo de assassinato em Margate.

Relacionamento
Valéria e Johan se conheceram no Rio de Janeiro e namoraram por aproximadamente 3 anos antes do nascimento do filho, durante os quais romperam várias vezes. O sul-africano é engenheiro, já foi casado antes de conhecer Valéria e tem uma filha.

Trabalhou em uma multinacional no Brasil até a empresa fechar. Foi quando eles decidiram deixar o país. Valéria atuou como auxiliar de produção, mas depois que conheceu o marido parou de trabalhar.

Quando descobriu que a brasileira estava grávida, Schmid insistiu que ela abortasse a criança e terminou o namoro. Porém, assim que soube que era um menino se retratou e os dois voltaram a se relacionar.

Se mudaram oficialmente para a África do Sul em novembro de 2013. Em Margate, os dois se casaram, tinham casa e trabalhavam em sua própria empresa de jardinagem.

De acordo com Silvana, Schmid diz estar arrependido pelo assassinato de sua própria mulher, mas conta com frieza como cometeu o crime e conservou o corpo em um freezer.

“Quando fui informada sobre tudo entrei em depressão, fiquei trancada no quarto”, conta a mãe Valéria. “Mas sabia que tinha que me reanimar e ir até a África do Sul reconhecer o corpo da minha filha. ”

Silvana trouxe o corpo para o Brasil, mas antes fez uma visita ao presídio para ver Schimid. “Ele falou em arrependimento, mas não chora”, diz. “Ele me pediu perdão, mas faz a irmã impedir que eu leve meu neto para o Brasil. Não está arrependido coisíssima nenhuma”.

A pena para assassinatos na África do Sul é de no mínimo 15 anos de prisão e pode chegar à prisão perpétua. A Justiça no país é lenta, por isso o caso de Johan pode demorar entre 6 meses e 4 anos para ser concluído.

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